Moçambique/ Governo Faz Censo de Estudantes no Estrangeiro
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Maputo, 4 Jul (AIM) - O governo moçambicano, através dos Ministérios da Educação (MINED) e dos Negócios Estrangeiros (MINEC), está a realizar um censo de estudantes moçambicanos no estrangeiro para garantir uma melhor monitoria e apoio em caso de necessidade.

Com o censo, o governo também pretende identificar os cursos e instituições de ensino, bem como as instituições que enviam estudantes ao estrangeiro e suas condições de vida.

Contudo, o porta-voz do MINED, Manuel Rego, afirma que o processo enfrenta dificuldades na obtenção de informações dos estudantes que se encontram fora do país através de inciativas individuais, fora do controlo do governo.

Por isso, disse Rego, o MINED recorre aos estudantes enviados pelo governo para convencer os restantes a aderirem ao censo, pois o mesmo não é de caracter obrigatório.

“MINED em parceria com o MINEC está a realizar desde 2010 um censo de estudantes moçambicanos fora de Moçambique. Existem dificuldades na recolha de informações porque alguns estudantes dizem que o Governo não precisa saber que eles estão lá. As pessoas não devem ter medo de dizer onde estão e porque estão lá”, referiu.

Rego acrescentou que “muitos não se registam e enquanto tudo estiver bem não há problema, mas quando algo correr mal será difícil apoiar estas pessoas”.

Segundo Rego, existem estudantes que pensam que aderindo ao censo pode significar um compromisso com o governo apos a conclusão dos seus estudos.

“Essa é uma situação quase generalizada. Os estudantes pensam que o censo significa um compromisso entre eles e o governo. Muitas vezes perguntam porque tenho que preencher”, disse Rego, para se seguida explicar “é importante para eles poderem manter contacto com as instituições do governo, receber apoio necessário em caso de necessidade e ainda permitir que as autoridades possam verificar se as faculdades onde eles frequentam os estudos são credíveis” explicou.

A diplomacia moçambicana também se queixa da falta de colaboração dos moçambicanos residentes no exterior.

Segundo o director dos assuntos jurídicos e consulares do MINEC, Geraldo Chirindza, muitos moçambicanos quando chegam a um país não se preocupam em saber onde fica a representação do país para se inscreverem de modo a receberem todo o apoio necessário.

Esta situação dificulta a compilação de uma base de dados fiável dos moçambicanos residentes no estrangeiro, incluindo estudantes e trabalhadores.

Contudo, em caso de dificuldades, os mesmos recorrem a representação diplomática do país e nem sempre encontram uma resposta para a sua preocupação à medida da urgência da mesma.

“A partir do momento em que um cidadão atravessa a fronteira, independentemente da sua distância com o país, deveria preocupar-se em saber onde fica a representação diplomática de Moçambique para se inscrever de modo a beneficiar de todo o tipo de assistência. Nos casos onde não existe, deve-se procurar identificar a missão diplomática no país mais próximo”, aconselhou.

Chirindza acrescentou que “seja por que razão a pessoa viaja, é importante que faça o registo consular nas representações para facilitar a localização em caso de necessidade porque nunca se sabe quando é que um problema surge”.

O caso dos bolseiros moçambicanos no Sudão, enviados por organizações islâmicas para frequentarem estudos de nível superior, veio mostrar a necessidade de o governo estar a par dos movimentos dos seus cidadãos.

Há cerca de dois meses, quando a imprensa moçambicana despoletou o “caso dos estudantes no Sudão”, através de denúncias feitas por eles mesmos, o governo disse repetidamente não ter conhecimento da sua presença naquele país africano e, por isso, abdicava da sua responsabilidade.

A semelhança dos estudantes no Sudão, existem outros milhares de moçambicanos no mundo inteiro frequentando cursos financiados por várias organizações não-governamentais a revelia do Governo.

Segundo o MINED, para os estudantes enviados pelo governo e seus parceiros existem procedimentos claros e, por isso, um melhor controlo.

Ambos, Rego e Chirindza, defendem que o “Caso Sudão” constitui um alerta para o governo melhorar o seu sistema de controlo dos moçambicanos no estrangeiro, sobretudo estudantes.

Actualmente, existem cerca de mil estudantes do ensino superior no estrangeiro ao abrigo de acordos bilaterais entre Moçambique e parceiros de cooperação.

A AIM soube que o maior número de estudantes moçambicanos no exterior encontra-se na China, Argélia, Cuba, Rússia, Portugal, Venezuela e Turquia.

Porém, existem outros milhares de moçambicanos em várias universidades do mundo através de bolsas conseguidas através de iniciativas individuais.
(AIM)
FTA/SG

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